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95% dos brasileiros têm preocupações financeiras. Estamos preparados para os imprevistos?

16/07/2026

Vida e Previdência

95% dos brasileiros têm alguma preocupação financeira. Veja o que a pesquisa revela sobre reserva, emergências, dependentes e proteção. BRUNO HENRIQUE

95% dos brasileiros têm preocupações financeiras. Estamos preparados para os imprevistos?


Pesquisa da Onze em parceria com a Icatu revela preocupação com emergências, ausência de reserva financeira e uma parcela expressiva da população sem proteção para situações como morte ou invalidez.

Dinheiro, contas, dívidas, futuro dos filhos e despesas inesperadas fazem parte das preocupações de praticamente todos os brasileiros.

A 5ª edição do Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros, pesquisa realizada pela Onze em parceria com a Icatu Seguros, ajuda a dimensionar esse cenário: 95% dos entrevistados declararam possuir algum tipo de preocupação financeira.

O levantamento ouviu 8.391 pessoas de diferentes regiões do Brasil, entre 26 de maio e 1º de junho de 2026.
Mais do que mostrar que o dinheiro preocupa, porém, os resultados levantam outra questão:

Estamos financeiramente preparados quando um imprevisto acontece?

Emergências são a principal preocupação financeira

Entre as preocupações apontadas pelos participantes, 58% disseram temer não possuir dinheiro suficiente para lidar com uma emergência.
Outras questões também aparecem com destaque:
  • 33% preocupam-se em conseguir pagar as contas do mês;
  • 25% em garantir um futuro melhor para os filhos;
  • 22% em quitar dívidas ou limpar o nome.
Os números mostram que as preocupações financeiras não estão concentradas apenas no presente. Elas envolvem desde o orçamento mensal até a capacidade de enfrentar acontecimentos inesperados e planejar o futuro da família.

Mais da metade não possui reserva de emergência

A preocupação com os imprevistos encontra outro dado importante no levantamento: 56% dos entrevistados afirmaram não possuir reserva de emergência.
Uma reserva financeira tem justamente a função de proporcionar recursos disponíveis diante de acontecimentos inesperados, evitando que toda mudança no orçamento necessariamente dependa de crédito ou comprometa outros objetivos financeiros.

Mas existe uma ressalva importante.
Não possuir uma reserva nem sempre significa falta de organização ou planejamento. A própria pesquisa identifica pessoas cuja renda não é suficiente para cobrir todas as despesas ou que convivem com dívidas e restrições financeiras.

Para conseguir guardar dinheiro, primeiro é preciso existir alguma capacidade financeira para fazê-lo.
Por isso, realidades diferentes exigem prioridades diferentes.

Preocupação financeira não significa necessariamente falta de renda

Um resultado interessante aparece quando a pesquisa pergunta qual é a principal preocupação dos brasileiros.
42% apontaram dinheiro, seguido por saúde (22%), família (15%), violência (10%), política (6%) e trabalho (5%).
Dinheiro permanece na primeira posição pelo quinto ano consecutivo.

Ao mesmo tempo, o percentual vem diminuindo: foi de 54% em 2024, 49% em 2025 e chegou a 42% em 2026.
Isso mostra por que é importante interpretar pesquisas financeiras com cuidado. Uma redução na proporção de pessoas que coloca dinheiro como sua principal preocupação não significa que os problemas financeiros desapareceram — especialmente quando 95% ainda relatam algum tipo de preocupação relacionada às finanças.

E quando outras pessoas dependem daquela renda?

Outro dado ajuda a ampliar a discussão: 78% dos participantes possuem pelo menos um dependente financeiro, total ou parcial.
Quando existe dependência financeira, uma dificuldade deixa de afetar somente quem produz a renda.

Filhos são o exemplo mais evidente, mas diferentes estruturas familiares podem envolver pessoas que dependem parcial ou integralmente da renda de outra.
Nesse contexto, planejamento financeiro não diz respeito apenas ao dinheiro disponível hoje. Também envolve pensar na capacidade da família de absorver uma redução ou interrupção inesperada de renda.

Reserva financeira e proteção não são a mesma coisa

O estudo também chama atenção para a proteção contra acontecimentos de maior impacto: 63% dos entrevistados afirmaram não possuir proteção financeira para situações como morte ou invalidez.

Esse dado não deve ser confundido com os 56% que não possuem reserva de emergência. Os resultados divulgados não permitem concluir quantas pessoas pertencem simultaneamente aos dois grupos.

Além disso, reserva e proteção cumprem funções diferentes.
A reserva representa recursos acumulados e disponíveis para enfrentar necessidades financeiras. Já mecanismos de proteção, entre eles determinados tipos de seguro, podem transferir para uma seguradora riscos previstos em contrato.

Seguro de Vida e Seguro de Acidentes Pessoais são exemplos, mas não são produtos idênticos. Coberturas, riscos abrangidos, capitais segurados, exclusões e demais condições dependem de cada contratação.

Nenhum desses instrumentos substitui organização financeira ou reserva de emergência. São ferramentas diferentes para necessidades também diferentes.

Quase todos se preocupam. Nem todos conseguem se preparar

Talvez esse seja o principal retrato deixado pela pesquisa.
Existe uma diferença entre perceber uma vulnerabilidade financeira e possuir recursos ou mecanismos suficientes para enfrentá-la.

Para algumas famílias, o primeiro desafio é equilibrar receitas e despesas. Para outras, é começar ou ampliar uma reserva. Para quem possui dependentes, também pode fazer sentido avaliar o impacto financeiro que determinados acontecimentos teriam sobre as pessoas que dependem daquela renda.
Não existe uma única solução aplicável a todas essas situações.

Os números mostram, entretanto, que falar sobre saúde financeira não significa discutir apenas investimentos, dívidas ou quanto conseguimos guardar.
Significa também entender quanto um imprevisto pode alterar aquilo que levamos anos para construir.
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